Quando propósitos transformam realidades

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Experiência #18

Etiópia

10/fev./2015
por   Gabi

Quando começamos a traçar o roteiro inicial do projeto, a Etiópia era um dos países tidos como prioridade. Isso porque, pelas notícias que chegam a nós, esse país é quase como um símbolo da pobreza e das piores dificuldades que a África enfrenta.

Além disso, a Etiópia é considerada o berço da humanidade. A Lucy, um esqueleto de mais de três milhões de anos, foi encontrada em 1974 em uma cidade no norte do país e é considerada a mais velha evidência da espécie humana no planeta.

Diferentemente de todos os lugares por onde passamos, lá não houve processo de colonização. Os italianos até tentaram, mas o pouco legado que deixaram se resume a prédios antigos e pizzarias. Isso é um motivo de orgulho para os etíopes, que enchem o peito para dizer que a sua cultura é única e muito especial. Eu quase levei uma voadora quando comentei com o cara do hotel que eu achava a língua deles – o amárico – bem parecida com o árabe. A verdade é que é realmente parecida, mas preferi encerrar a discussão antes de ser deportada.

Mas mesmo com todas essas exclusividades e diferenças, a Etiópia não ganhou meu coração e, curiosamente, foi a primeira vez que isso aconteceu nesses quase seis meses.

Pelas ruas de Adis Abeba, a capital, encontramos dezenas de pessoas pedindo esmola. Era impossível caminhar mais de cem metros sem que alguém se aproximasse para nos pedir algo. Nada muito longe daquilo que já estamos acostumados, mas ali foi diferente.

As crianças perambulavam pelas ruas com roupas sujas e rasgadas esticando a mãozinha para receber algo, enquanto as mães aguardavam sentadas em algum lugar próximo. Nós temos um acordo de nunca oferecer dinheiro, porque acreditamos ser a maneira mais fácil de contribuir para um futuro vazio, sem perspectiva de mudança. Ao invés disso, passamos a comprar umas comidinhas extras e distribuir para quem estivesse pelo caminho, embora nunca fosse suficiente.

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Quando não tínhamos mais o que dar, eu oferecia um abraço ou um carinho no cabelo. Esses gestos sempre foram bem recebidos, mas com aquela cara de “valeu tia, agora o dinheiro”.

Foi lá onde eu também me senti um pouco paranoica, com a sensação de que estávamos sendo seguidos o tempo todo. Quase sempre, por coincidência ou não, eu estava certa. Ao longo das caminhadas, sempre aparecia alguém querendo fazer amizade e no final da conversa aproveitava a chance pra pedir um dinheiro, uma passagem de ônibus, um carro e uma casa própria.

Mas em meio a todos os meus receios e questionamentos, com a ajuda da ActionAid Etiópia conhecemos um projeto incrível chamado Women In Self Employment – WISE que me lembrou a importância de enxergar além das aparências. Fomos muito bem recebidos e tivemos uma roda de conversa com três mulheres beneficiadas pelo projeto. Lá elas aprendem conceitos de economia doméstica e empreendedorismo. Sabendo poupar e investir, elas iniciam ciclos virtuosos que incluem a criação, produção e venda de artesanatos.

Se não bastasse, elas ainda participam de competições que instigam ideias inovadoras e as mais criativas recebem um investimento significativo em dinheiro para desenvolverem seus negócios. Elas nos deram depoimentos emocionados contando sobre como a vida muda depois que tomamos consciência de que somos responsáveis pelo nosso destino.

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Essas mulheres amoleceram o meu coração e me mostraram que no meio da hostilidade, ainda é possível encontrar um punhado de virtudes espalhado por ai.

Tenho a impressão de que todas essas características são próprias de uma grande cidade com milhões pessoas. Isso porque viajamos para o leste do país até Harar, a quarta cidade mais sagrada do Islamismo, e tivemos experiências bem diferentes. Começando pelo hotel que não tinha água, nem pia no banheiro e à noite servia de refúgio pra hienas. Tudo tão luxuoso que eu preferi não tomar banho e não olhar na janela.

Caminhando pela cidade recebemos muito mais sorrisos e menos tentativas de venda. Mas as pessoas pedindo ainda estavam lá. Era engraçado porque em algumas situações crianças super bem vestidas se aproximavam correndo e pronunciavam um sonoro “Money”. Foi quando eu passei a perguntar a elas o porquê de precisarem desse dinheiro. A conversa sempre acaba em sorriso, ou porque eles não entenderam a pergunta ou não sabiam a resposta.

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Em algumas situações eu ia adiante, como por exemplo, com dois meninos de uns oito anos que encontramos saindo da escola, uniforme limpo, sapato engraxado, mochila nas costas e tomando um sorvetinho. Bastou trocarmos olhares pra surgir a palavrinha mágica “money”. Ai eu não aguentei… a minha vontade era parar e dizer “queridos, sentem aqui que a tia vai explicar uma coisinha pra vocês”, mas lembrei de um antigo lema da minha primeira chefe – e grande amiga Tekinha – que prega que todo ensino e aprendizado feitos com amor, produzem efeitos mais especiais e duradouros. Então preferimos continuar caminhado ao lado deles enquanto eu dizia que ele já tinha coisas muito mais importantes do que dinheiro, como a chance de ir à escola, ter uma boa roupa e tomar um sorvete gostoso.

Eles ouviram atentamente o meu discurso e na hora de ir embora ainda fizeram uma última tentativa esticando a palma da mão, o que eu entendi, carinhosamente, como um aperto de mão hahaha e assim o fiz.

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Continuamos nossa caminhada e chegamos a uma reserva natural, onde não há nada além de natureza, pedras e poucas famílias. Foi quando fomos surpreendidos por cinco crianças que surgiram dos arbustos correndo e gritando em nossa direção. Eu já estava quase me rendendo, quando uma delas se pendurou no pescoço do Fe e outra no meu. Todos pediam abraços e acabou rolando quase que um montinho… todo mundo se abraçando e eu recebendo muitos beijos, o que não é um gesto muito normal pra quase ninguém na África. Esse momento deve ter durado uns dois minutos e quando eles se cansaram de tanto carinho e apertões, pegaram novamente os baldes e continuaram o caminho até o poço para buscar água. Assim eles foram embora sem pedir nada e nos deixando com uma sensação deliciosa de amor genuíno e puro, coisa que só as crianças conseguem nos fazer sentir com facilidade.

Esses dois momentos combinados com as demais situações que já tínhamos vivido, me trouxe uma reflexão curiosa, na linha daquela questão filosófica sobre quem surgiu primeiro – o ovo ou a galinha?

Nos comportamos como os nossos líderes ou nossos líderes se comportam como a gente?

É uma boa questão, né? Quando somos crianças nossos líderes são nossos pais, nossos tios, nossos avós e qualquer outra pessoa mais velha que admiramos por algum motivo. Isso significa que se você fura fila e finge que não tinha visto aquelas 576 pessoas aguardando, se você repete opiniões sem checar se elas têm fundamento, se você é fofoqueiro, materialista ou oportunista, seu filho, neto ou sobrinho muito possivelmente vai enxergar tudo isso como um exemplo. E mais, se você instiga uma criança a agir com preconceito, discriminação, intolerância e individualismo ela vai crescer com isso e lá na frente é provável que te deixe na mão.

Por outro lado, se você tem o coração grande, é generoso, grato, educado e consciente, você está no caminho pra criar um anjo do bem, daqueles que todo mundo quer por perto.

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O mesmo acontece pra quem já é maiorzinho. Em um país como o Brasil e tantos outros pela África que conhecemos, eu me pergunto: Nós somos fruto dos nossos líderes ou eles são fruto da nossa postura?

Pelo amor, não venha me dizer que o Brasil está assim porque “aquela gente” votou “naquela zinha”. A resposta vai muito além disso e me faz refletir sobre como agimos no dia a dia.

Quem são nossos formadores de opinião? São aqueles que nos ensinam receitas de tapioca light, exercícios pra chegar na barriga negativa e onde encontrar o look perfeito? Pois é, vejo menos gente do que eu gostaria discutindo assuntos relevantes e se envolvendo com os problemas do mundo. Eu não estou dizendo que todo mundo só pode discutir política no happy hour, porque eu acho bem chato quem não consegue encontrar o equilíbrio. O que eu quero dizer é que quanto mais distantes estivermos de construir nossas próprias opiniões e ter claro o que é admissível ou não no país e no mundo, mais próximos estaremos de sermos liderados por pessoas que não se preocupam com nada além dos seus interesses pessoais. Deveria ser uma mudança coletiva e se cada um começar a tempo ainda temos chance.

O mesmo deve acontecer na Etiópia, Angola, Moçambique e outros países extremamente corruptos da África, que aprenderam a sobreviver de ajuda internacional. Enquanto o pessoal tá pedindo na rua, os seus líderes estão dando rolezinho de iate por ai. Foi assim que eles aprenderam e se está dando “resultado”, porque mudar?

Enfim, eu confesso que não tenho uma resposta pra minha pergunta, mas tenho pensado muito sobre o que estamos ensinando e o exemplo que estamos passando para as nossas crianças. Mas antes disso acontecer temos que tomar consciência de como estamos agindo. Parar de olhar a grama verde do vizinho e regar a nossa. Quando isso acontecer, me parece que poderemos voltar a sonhar com uma nova geração de líderes conscientes e uma sociedade proativa e participante.

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Por tudo isso, a Etiópia não me encantou, mas me chacoalhou. Me mostrou que não há mudança se não houver boas referências para nos espelharmos e basta estar vivo pra ser um bom – ou mal – exemplo pra alguém. Pensando bem, na Etiópia e no Brasil é isso mesmo que está faltando: repensar nossos valores, se reconhecer como um exemplo pra quem convive com a gente e saber escolher quem a gente considera um exemplo.

Tapioca e look do dia não mudam o mundo, mas se acompanhar uma boa dose de ativismo social, ambiental e político, ai a gente tá no mesmo time.

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Gabi
Think Twice Brasil

    18 Comentários:

  1. Monica Candido disse:

    Nossa, gabi! Nao tinha lido os comentarios e acabei de ver que o post causou polemica. Nao precisa aceitar meu comment se for causar mais polemica. E continuem com o trabalho lindo de voces, nao se deixem abater pelo o que os outros pensam. Siga seu coracao :-)

  2. Monica Candido disse:

    Oi Gabiiii,
    É incrível como as experiências podem ser tão diferentes! Eu simplesmente AMEI a Etiopia, fiquei encantada. Também amei o povo e a comida e ainda me senti super segura. Descobri que comer com a mao pode ser muito prazeroso e que a Carminha da Avenida Brasil é um dos hits na Etiopia (além de todos os jogadores de futebol) rsrs. Sim, os etíopes são fãs do Brasil. Mas esse encanto todo não sai de primeira, senti que essa química rola só depois de um tempo de reflexao. Talvez, eu tenha dado muita sorte na minha experiencia. Um coisa é fato: eles são MUITO desconfiados com os “farangis” (como chamam os estrangeiros). Eles detestam a impressao que o mundo tem sobre eles de famintos e pobre coitados, uma imagem que ficou muito no mundo forte por causa da crise de fome que passaram na década de 90. Eles também não gostam do fato de que os estrangeiros em Addis só vivem em suas mega casas com guardas e nao andam pelas ruas (daí o assédio quando vc se mete a caminhar sozinha pelas ruas de Addis). Eles tem a impressao de que os estrangeiros (principalmente europeus e americanos) veem eles como pobres coitados e que veem para Etiopia para viver como reis em seus “compounds”. Soma-se a tudo isso o fato de eles serem MUITO, mas MUITO orgulhosos por nao terem sido colonizados e ter dado um pé na bunda dos italianos (ponto para os Etíopes) rsrs Pra piorar, muitos turistas vao pra Etiopia com aquele “tourist mode on” de só querer tirar foto/comprar/pagar sem querer se adentrar muito nas relacoes locais. É quase que como se fizessem o mesmo turismo que seria feito na Europa ou como naqueles safaris de luxo na Africa – mas um turismo que nao se aplica a Etiopia (que pra mim é um dos símbolos da Africa de verdade). E pra viajar pela Etiopia e realmente conhecer o povo, é preciso ir além – o que muitos dos turistas nao compreendem. Além das paisagens maravilhosas do país, acho que o povo, a cultura e as tribos são um dos grandes legado. Sim não é fácil penetrar essa camada, mas uma vez feita, voce se encanta com o povo etíope. Voltarei com certeza absoluta. Concordo com vc tambem que as relacoes mudam muito quando se sai da capital. Queria compartilhar minha experiência com você! Beijinhos

    • Gabi disse:

      Mô, que relato lindo !! Essa é a beleza das “experiências”:) São totalmente únicas e refletem de maneira especial pra cada um de nós. A gente saiu de lá com a certeza de que vai ter que voltar algum dia, porque realmente não conseguimos sentir a essência do país e temos quase certeza de que isso aconteceu porque passamos muito tempo na “cidade grande”. Que bom que vc pode se apaixonar e levar um pouco da sua luz pra lá :) Um beijo enorme e super obrigada por compartilhar essa outra visão tão rica e verdadeira !

  3. nanci disse:

    GAbi, o caminho é o que vocês estão fazendo, mostrando que o amor, gratidão, doação…. podem mudar o mundo. Vocês são sementes que com certeza germinarão para um novo momento. Quantos sentimentos diferentes lemos nos comentários após cada experiência descrita.

  4. Felipe, first of all….parabéns pela iniciativa, fiquei emocionada em ver a sua atitude. Que mulher especial esta que encontrou, estes textos são uma inspiração. Gabi, muito prazer!!! Ler seu post me fez lembrar do documentário I am, por mostrar que responsabilizar o outro e não se envolver de fato com as questões da humanidade e com seus próprios problemas buscando tercerizar uma suposta culpa não ajuda a melhorar em nada. Seu texto é gostoso de ler porque realmente se trata de um conteúdo autêntico gerado de reflexões que estão sendo produzidos com base em experiência profunda e genuína. Já estou fã e muito feliz em acompanhar a trajetória do meu ex-cliente, amigo e agora agente de transformação do mundo. Sucesso aos 2 e a todos que encontrarem pelo caminho.

  5. Barbara disse:

    Instead of spending time writing a huge text to judge the others opinion, try to look deep inside yourself. If your intention was to help you are in a wrong way! As i believe it wasnt, take care of your life and think twice before saying such an absurd comment!! What are you winning with that??
    Gabi and Felipe, excelent answer!! Dont let people like him let you down, i am preatty sure you are above of that….you two are doing an excelent work and we are all proud of ya!!

  6. Fabio disse:

    How wonderful is to read all experiences that you guys have to share with us and make the world a better place.
    I was so surprise to read an empty and a rude comment. But Felipe and Gabi gave a lovely answer and I totally agree with you Think Twice Brazil.
    Juan, if you know so much about Brazil, Ethiopia and other countries you should invest your time with love and helping them to plan a better project and provide them information about people that could help to have a better perspective.
    I wish you had the opportunity to spend more time in Brazil to make better comments and comparisons.
    Let’s try to help each other instead of complain the good actions of good people that are making the difference.
    Every time you work with love you feel you are in a Holiday!!!
    Felipe and Gabi, I am sorry about Juan’s comment.
    Love.
    Fabio

  7. Florencia disse:

    “Sejamos a mudança que queremos ver no mundo”!.
    Com certeza vcs estão fazendo a diferença, não só pela experiência que estão vivenciando e compartilhando conosco, mas por tocar muitos corações ao fazê-lo e fazer-nos acreditar que é possível mudar não só a vida de outras pessoas, mas as nossas. Compaixão, amor e solidariedade. Como contou Gabi, como foram agarrados pelas crianças, que subiram em seus pescoços, e houve essa troca de amor mútuo, carinho, beijos e abraços…quer presente melhor que esse? =)
    Senti pelas suas palavras o amor desse momento!

    Beijos e abraços apertados,

    Florencia

  8. Juan Ruiz disse:

    Hi there! I reached your web and social media references from a friend who told me about. I really want you to congratulate for the wonderful holidays you are experiencing. Amazing places and cities, good pics, and well written Disney-style comments from your privileged position. Hopefully
    everybody could afford a holidays like yours.
    I am also involved professionally in coop and I have participated in various projects in your home country. In view of the expressed aim of your project, I assume that you previously have perused and experienced first hand the reality of Brazil, which is far worse for a high part of the population than you describe in AFrica. And although your country is continent like, you just need to go a few miles away from your neighborhood to find the realities and try to change them witout need to go to Africa, We can discuss your views on that.
    Also, your views on Ethiopia are in my view quite biased. You need to know the reality there -more than staying a few weeks- to reach a grounded opinion. The “money” jokes and this staff provides a wrong view on the country (obviously, it is not Kenya and the Hakuna MAtata song). I have been there for long time and I can assure you that your views are far from the reality, Ethiopia is exceptional in terms of human quality on a compared basis. They are more hungry that you could imagine.
    Finally, I am not sure about the convenience to explicitly show -and record- the independent acts you unilaterally do for charity (the blanket over the baby and so on). But this is a minor comment.
    Wonderful holiday blog.
    All the best
    Roger

    • Renata Piazzon disse:

      Dear Roger,

      I just wanted to share that I have been following Think Twice Brazil for a long time and that the impact Felipe and Gabi cause in my life every single day is huge! In each and every experience (and yes, that includes the simple charity acts), I learn a lot. I learn that LOVE is everything. I learn that the world is ONE. That we are all ONE. And that the impact we generate in Africa, or elsewhere, we generate in Brazil. I learn that the only way to change the world is to live with passion. To inspire. To promote awareness. To respect. To share. And to stop judging people.

      I would be happy to know more about the reality of Ethiopia, as well as would be happy to share to you the reality of Brazil. And I really hope you can live a life with LESS sarcasm and MORE love.

      All the best,

      Renata

    • Gabriela disse:

      Juan, are you really serious???? If you think so little about this “holyday”, why spend so much time writing all of this when you could spend this same moment spreading love? The world if full with people like you, that instead of just see how nice this experience can be and how inspiring it already is, prefer to talk sh*t and be so “superior” (as you may think you are but I can already say that you are far away from that). I hope you find love in everything you do in your life. Yes, they traveled miles away from their own country to learn more abour poverty and see it in a different perspective. What is wrong about that? If you think they shouldn’t, when YOu try to do something like they are doing, you star in your own country!
      Bit as I said… Maybe you can spend your time spreading love! It will be so much more grateful!
      Take care!

    • Felipe disse:

      Dear Roger,

      We appreciate the time invested to know our point of view of a personal experience in Ethiopia and comment.

      We usually don’t reply, but as you made a serious satyr comment about our life without even knowing us, we should explain your misunderstood direct opinion about Gabi and I, in respect to our readers.

      As you are unaware about the purpose of our project, we are traveling on our own way to learn and share what we live and the impressions we took in our mind and heart. So, it doesn’t regard to the whole population neither it’s a deep development report on each country we visit. As we have the free will to do it with our mind opened, you also have it to agree or disagree, and we’d love to learn from you, if you could share please. The main objective of comments is to include different perspectives about the outcome of our experience, not just to assume what you don’t know about us. Exchange is knowledge!

      Very unfortunate to hear from you, claiming to be experienced, that Brazil is “far worse” than others, as dignity has no nationality and no quantity of people. In About Us we explained why we decided to do this way and hope others, like you, can respect, if you want to be part of it.

      We’re glad you can also see it as holiday, we are grateful to have had privileges and this opportunity. We hope that everyone can live the life with the fulfillment they aspire, specially in work, to enjoy life and make everyday a holiday!

      Lastly, we’re very sorry that you don’t like to see “unilateral charity acts” as you said, we hope more and more people like to do it and share everyday their own way, so more inspiration bring more good!

      We are hopeful indeed :)

      Hope we can learn more from you in a constructive way!
      Wish you fulfillment, joy, peace and evolution!
      Felipe and Gabi

  9. Gabriela disse:

    Adorei a reflexão, Ga! E concordo totalmente que somos o reflexo – muitas vezes melhorado – dos nossos pais e daqueles que nos inspiram. E dessa mesma maneira temos que nos atentar ao que fazemos porque a gente pode nem saber mas tem pessoas olhando para nós e irão repetir nossos atos.

  10. Marinez Marton disse:

    Parabéns por tudo: pelo projeto, pelas reflexões, pela clareza de pensamento, pelo exemplo de vcs. Certamente vcs fazem parte do time de boas referências para nos espelharmos!

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